Pelotas: Navegação no São Gonçalo está comprometida

18/06/2018 Fonte:Diário Popular

O vão móvel da ponte férrea localizada sobre o canal São Gonçalo está sem operação há pelo menos três meses. A estrutura é içada toda vez que alguma embarcação precisa cruzar o trecho, igualando a altura da ponte férrea à ponte Léo Guedes (Pelotas-Rio Grande). Com o mecanismo fora de funcionamento, a navegação pelas águas do canal fica comprometida. A empresa Rumo, que possui a concessão do local, afirma que enviará uma equipe para avaliar e resolver o problema.

O defeito atrapalha, e muito, quem depende do São Gonçalo ou das lagoas vizinhas para viver. O canal liga a Lagoa dos Patos à Mirim, onde muitos pescadores vão em busca de seu sustento. Um desses profissionais é Florosvaldo Vitaca, que precisa acessar as águas da Mirim para capturar o pescado. Quando o peixe está escasso, ele usa sua embarcação para transportar turistas interessados na pesca esportiva.

Com o vão móvel da ponte estragado, essa travessia se torna quase impossível. Para passar por baixo da ponte com o vão abaixado, Vitaca faz cálculos certeiros. Ele recorda de um episódio recente, quando um grupo de Porto Alegre o procurou para transportá-los até a a Lagoa Mirim, onde deveriam pescar. "Estava tudo combinado, mas a ponte estragou e o vão não subiu." Foi preciso equilibrar o peso do barco para conseguir passar pela estrutura. A volta, no entanto, é sempre uma incerteza. "Se o canal subisse um pouco, nós não conseguiríamos voltar", fala.

E não é sempre que o pescador consegue passar por baixo da ponte com tranquilidade. Em uma viagem, Florosvaldo afirma que "errou o olho" e o barco acabou colidindo contra a estrutura, trazendo prejuízos financeiros. "Nós só queremos o nosso direito de ir e vir", reivindica. Ele frisa ainda a importância do acesso à Lagoa Mirim, pois lá a pesca é mais farta. "Já é difícil ter peixe aqui na volta. Onde tem, nós não conseguimos chegar", lamenta.

O defeito no vão móvel não é o único apresentado pela ponte férrea. A sua estrutura está bastante deteriorada, especialmente nos pilares, e as partes em metal estão enferrujadas. A casa de máquinas, localizada no topo de uma das estruturas metálicas, está destelhada. Mauro Martinelli, conselheiro do Iate Clube de Pelotas, reclama da falta de manutenção da ponte. "Ela dá problema com frequência", relata.

Martinelli afirma que vem negociando o conserto da estrutura com a empresa há pelo menos um mês, sem sucesso. "Se o problema fosse ao contrário e os trens não pudessem passar, já estaria tudo resolvido", acredita. Segundo ele, o vão móvel não é içado desde a segunda quinzena de março. Quando elevada, a estrutura atinge até 22 metros, dependendo do nível do canal. Desse modo, se iguala à altura da ponte Léo Guedes, que liga Pelotas a Rio Grande.
A concessão da ponte é da empresa Rumo, antiga América Latina Logística (ALL). Ela é a responsável pela manutenção periódica da estrutura e por eventuais consertos. Em nota, a empresa diz que "uma equipe será deslocada ao local para a manutenção da ponte e, assim, restabelecer o funcionamento o quanto antes". Esclarece ainda que vem realizando a devida manutenção da ponte e do sistema de elevação. "Estes investimentos vêm aumentando a segurança e a eficiência operacional", finaliza.

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