Seca deve acarretar prejuízo de R$ 6,2 milhões para produtores rurais de Cerrito

07/02/2018 Fonte:Jornal Tradição Regional

Os produtores rurais de Cerrito têm enfrentado uma das piores realidades para quem trabalha no campo: a estiagem, que afeta o município desde novembro. A diminuição drástica na ocorrência de chuvas ocasionou uma redução do volume das nascentes e das fontes de abastecimento para consumo humano e animal. Em meio a tantos desafios, responsáveis em alguns casos a submeter os agricultores a mudanças no plantio, os prejuízos se acumulam e os cálculos apontam para uma perda total de aproximadamente R$ 6,2 milhões.

Com aproximadamente metade da população residindo em zona rural, a produção agropecuária é o carro-chefe na economia do município de 6.500 habitantes. É nesse cenário que os prejuízos calculados preocupam ainda mais. A estimativa mais precisa sobre as perdas foi emitida na última terça-feira (6) pelo engenheiro agrônomo Leandro da Fonseca, servidor da Emater.

De acordo com o documento, que elenca as culturas e produções afetas, em algumas comunidades o volume total de chuva não chegou a 35% do esperado para o período. Com isso, alguns produtores foram obrigados a diminuir a área plantada devido à falta de umidade no solo ou, então, tiveram que plantar fora do zoneamento. Em ambas as condições, a produtividade diminuiu consideravelmente.

As principais entidades do município estão engajadas em auxiliar na tentativa de amenizar os prejuízos e garantir o sustento das famílias afetadas. Cerca de 90 residências estão sendo abastecidas com água por caminhões pipa da Prefeitura de Cerrito. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais e a Emater também acompanham de perto a situação que se agrava a cada semana sem chuva.

Duas das principais culturas do município são as mais afetadas pela falta de umidade no solo. De acordo com o laudo, as plantações de milho, por exemplo, devem acumular um prejuízo de R$ 1,5 milhão, o que equivale a 60% do cultivado.

Apesar de ser mais resistente à seca, a soja ainda assim deve ter uma perda calculada em 20% na receita. Embora a colheita ainda não tenha sido iniciada, diversas lavouras já registram flores abortadas. O prejuízo, nessa cultura, é ainda mais significativo, estimado em R$ 3,6 milhões.

O laudo informa ainda sobre outras três produções agropecuárias. A pouca ocorrência de chuvas deve ocasionar 60% de perdas nas plantações de feijão, equivalente a R$ 59 mil. A queda para a produção de leite é calculada em 21%, porcentagem que se traduz em 420 mil litros e R$ 336 mil a menos na receita. Isso porque além da pastagem afetada, há pouca qualidade na água disponível para o consumo dos animais. Esses também são os motivos que levam o engenheiro a concluir que o gado de corte será prejudicado em 10%, o que representa uma perda de R$ 720 mil.

O prefeito do município, Douglas Silveira, enfatiza que os produtores passam por sérias dificuldades devido à falta de água. "Vamos adotar medidas na tentativa de suavizar as consequências dessa estiagem e amparar os agricultores e pecuaristas prejudicados", afirma. Silveira ainda disse que a administração estuda decretar situação de emergência nos próximos dias.

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